Continuo a tentar convencer uma Lagarta da existência de uma Borboleta.
Por muito que lhe explique, lhe fale das cores e das formas, do movimento e de toda a liberdade que dispõe; O raio da Lagarta parece não perceber nada do que lhe estou a falar.
Este rastejante só conhece a casca da árvore á qual está agarrado. Da árvore digo eu porque para a Lagarta é todo o Mundo. A sua lenta locução e o seu cérebro que só pensa em comer, impedem o individuo de perspectivar outras fronteiras.
Terá a Lagarta conhecimento da existência da Borboleta?
Quando a aragem de um bater de asas roçar a Lagarta, esta reconhece a borboleta que passou por si? Terá noção de presente? e de futuro?
São dois mundos distintos e inteligentes, interligados, um não vive sem o outro, estão tão perto que se tocam mas, estão tão longe no Intelecto.
Cada um só pode ver com os olhos que tem e quando se deixam deslumbrar pelas luzes do mundo, os outros sentidos atrofiam-se e aos poucos perdem as suas capacidades.
"Os olhos são o espelho da Alma" e os olhos de muita gente só reflectem o mundo exterior e esses olhos sem os outros sentidos não passam de "bolas" que os bichos irão comer.
Os nossos olhos também vêem para dentro e ai sim, "são os espelhos da Alma".
É urgente que se comece a olhar para dentro e a utilizar os outros sentidos, aperceber-se que o mundo não se limita á casca da árvore e que também há um mundo infinito á nossa volta, o mundo da Borboleta e então compreender a realidade de se ser Lagarta.
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