sábado, 22 de novembro de 2008

Padrão ( Fernando Pessoa )

A alma é divina e a obra é imperfeita. Este padrão signala ao vento e aos céus Que, da obra ousada, é minha a parte feita: O por-fazer é só com Deus. E ao immenso e possivel oceano Ensinam estas Quinas, que aqui vês, Que o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim é portuguez.

sábado, 18 de outubro de 2008

Para alem do Bojador.

- "Senhor", o que nos pedis é o homicídio de nós próprios!

   Isto dizia o navegador Gil Eanes enquanto o infante D. Henrique lhe ordenava a ele e á sua tripulação que partissem. Ordenava-lhes que rumassem a sul, para o desconhecido, que dobrassem o cabo Bojador. Com o medo estampado no rosto, envoltos numa aura de fé e de dever a cumprir pois eles não eram outros senão Cavaleiros da Ordem de Cristo. Não eram pessoas normais, eles eram o "amanhã" dos Cavaleiros do Templo e o ontem de todos os Cavaleiros actuais que sonham com um futuro e uma terra alem do horizonte. Já dobrámos todos os cabos e já não há medo alem do Bujador. O Mundo perdeu o seu mistério e parte do seu encanto, por isso os Homens já não sonham. Os sonhos extinguem-se com o extinguir da Fé, a corrente que movimenta a actual doutrina é materialista e desumana ao ponto de fazer esquecer aos homens que são humanos. Hoje é grande a vergonha do pobre por não ter, antigamente uma vergonha era roubar, mentir e trair. Já a honra, essa é arrastada pela lama e quando se manifesta é olhada com estranheza e desconfiança. Não falo dos valores perdidos do ser humano pois esses já ninguém sabe quais são. Cada um formula valores para si próprio e tenta impingi-los aos outros. Todos acham que estão certos e assim o pensamento colectivo desaparece pouco a pouco. A culpa é da politica instituída que promove o individualismo e
ninguém quer saber de ninguém. 
Chegámos a este estado de coisas e agora ninguém sabe como altera-las. Aliás, ninguém está interessado nisso porque também ninguém pensa nisso. As coisas estão bem como estão e quando não estão, "falam falam e não dizem nada". Demagogia para o Povo, quando feita á maneira é como o queijo numa ratoeira.
Agora os homens já não são como os cordeiros, são ratos que para alem de não terem cérebro ainda trazem com eles a peste e a morte. Vejo os Homens escravizados por modelos financeiros e folhas de estatísticas. É como uma maquina que destrói tudo a sua passagem, devora o mundo num movimento circular. Virá o tempo em que terá comido tudo em seu caminho e depois devorar-se-á a ela própria.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Lagartas e Borboletas.

   Continuo a tentar convencer uma Lagarta da existência de uma Borboleta. Por muito que lhe explique, lhe fale das cores e das formas, do movimento e de toda a liberdade que dispõe; O raio da Lagarta parece não perceber nada do que lhe estou a falar. Este rastejante só conhece a casca da árvore á qual está agarrado. Da árvore digo eu porque para a Lagarta é todo o Mundo. A sua lenta locução e o seu cérebro que só pensa em comer, impedem o individuo de perspectivar outras fronteiras. 
Terá a Lagarta conhecimento da existência da Borboleta? Quando a aragem de um bater de asas roçar a Lagarta, esta reconhece a borboleta que passou por si? Terá noção de presente? e de futuro?
 São dois mundos distintos e inteligentes, interligados, um não vive sem o outro, estão tão perto que se tocam mas, estão tão longe no Intelecto. Cada um só pode ver com os olhos que tem e quando se deixam deslumbrar pelas luzes do mundo, os outros sentidos atrofiam-se e aos poucos perdem as suas capacidades. "Os olhos são o espelho da Alma" e os olhos de muita gente só reflectem o mundo exterior e esses olhos sem os outros sentidos não passam de "bolas" que os bichos irão comer. Os nossos olhos também vêem para dentro e ai sim, "são os espelhos da Alma". É urgente que se comece a olhar para dentro e a utilizar os outros sentidos, aperceber-se que o mundo não se limita á casca da árvore e que também há um mundo infinito á nossa volta, o mundo da Borboleta e então compreender a realidade de se ser Lagarta.

domingo, 6 de abril de 2008

Gnosticos.

A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina". "O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação. A Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis, nos leva ao conhecimento da Causa...". " Não é a Fé, mas sim a Fé unida às Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas, literalmente, crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, aprofundando o sentido interior, conhecem a verdade inteira". " Só o Gnóstico é, por essência, piedoso ". " O homem não adquire a verdadeira sabedoria, senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porque foi, é e será tudo quanto existe."

sexta-feira, 4 de abril de 2008